
Estou desesperada, não aguento mais esta rotina isenta de verdadeira agitação, actividade, objectivos… a minha cabeça anda a mil e já começo a duvidar da minha sanidade mental… sinto que vou de um pico ao outro em questões de segundos… ora de sorriso de orelha a orelha, ora irritada que o mais pequeno gesto alheio me deixa fora de mim…
Não me arrependo daquilo que de bem faço, não quero, não posso e lutarei contra esse sentimento, pois eu sei que é contrário à minha verdadeira essência… mas não consigo deixar de ficar triste, porque afinal sou humana… eu preciso de trabalhar… estou cansada de esperar… estou cansada!
Ficar aqui na casa de meus pais nunca foi uma situação deveras aliciante, mas agora com a repentina depressão do meu pai, bem tornou-se insuportável… não estou mais naquela de ficar a insistir e parece que é isso que ele espera… não posso estar sempre a paparicar pois eu sei que o seu ego sempre foi a sua prioridade e não acho correcto exagerar nesse ponto… ele não merece… essa é a verdade… tenho feito de tudo… e por vezes sinto que ele não dá valor ao sacrifício que tenho feito… estou cansada… não fisicamente, até pelo contrário, busco incessantemente ocupação física, porém no que toca a minha capacidade psicológica, estou cansada, de rastos… no limite de minhas forças…
Apesar da minha posição, de saber que preciso de estar separada… a vida me impõe esta espera e este sentido de gratidão e obrigação "para"… deixa-me condenada a uma rotina que me desgasta…
Queria mudar tudo… queria ter um cantinho meu… onde eu e a minha filha pudéssemos compartilhar momentos só nossos… e aparte todas as dificuldades circundantes, o facto de não ter trabalho é sem dúvida o cerne desta questão…
Preciso de ajuda… sinto-me completamente sozinha… e não sei a quem recorrer… não tenho com quem falar sobre o que na verdade se passa na minha cabeça…
Precisava de ti…
A S. é a minha eterna amiga… mas tem coisas que são difíceis para ela, não posso esquecer que o M. é amigo dela também… e depois… depois tem esta necessidade inexplicável de não falar de meus receios… de minhas mágoas que te envolvam… não sei, mas quero preservar a tua imagem perante ela…
Por isso… quem me resta?
Este blogue vazio de vida… que não traz consigo a resposta automática que preciso ouvir naquela e na outra hora…
Fiquei reduzida a estes textos… contudo, por mais insignificante que pareça… acho que senão tivesse pelo menos estes momentos… de exteriorização de sentimentos… acho que meu coração já tinha arrebentado… de tanta dor…
Não sou fraca, não sou frágil… insegura… imatura… sou simplesmente um ser humano que abriu seu coração, que se entregou… que ama… que ama e teme estar a amar… uma mera ilusão… um delírio… que aconteceu algures no passado e não tem mais tempo… lugar no futuro!
Não sou muito menos louca… ou indecisa… sou somente uma mulher de 32 anos… que virou sua vida… e que a tem que a erguer de novo do nada… e que não pode deixar de ficar triste por todos os sonhos que deixou para trás e mais alguns que imaginou eternos…
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