
Cheguei a uma fase da minha vida que o pouco já não me contenta, quero mais, quero muito, quero inteiro… estou cansada de metades, de restos… eu sou inteira e preciso de me manter assim por todo o meu caminho… não posso deixar partes de mim… aqui… ali… com este… com aquele… e muito menos de acumular a carga extra… e tentar te levar comigo…
Eu insisto… persisto… caiu e faço feridas… mas prossigo… dói-me os pés quando eles tocam o chão, fraquejam minhas pernas durante o longo caminho… mas permaneço… continuo… e sigo os meus passos, delineio o meu traço… dou curso ao meu coração…
Por isso não me julgues tua… que sou quem queres que eu seja… não me tomes como algo certo e disponível para o teu tempo… pois o tempo é meu e eu quero voar, sem barreiras, sem limites… sem ponteiros!
A minha mudança depende dos meus voos… preciso de voar… de me libertar de tudo que me prende… de saber lidar com a tua ausência… controlar meus impulsos… pois apesar de me doar… e me entregar de corpo e alma… eu permaneço… em mim… não me deixo, não me largo e mesmo que o deixe o vento me levar…
Um sopro leve… outro forte… e assim muda o meu humor… no fluxo do vento… quando tu
não és correcto… quando eu erro… porém, o meu sorriso volta, como sempre volta o sol… depois de uma bravia tempestade…
Porque a vida é um instante e nada é para sempre… tudo passa… tudo acaba… tudo morre… eu não sou eterna… mas sou inteira… devo isso a mim mesma e é por isso que vou voar até aos limites de mim…
Quando meu caminho chegar ao fim… quero poder dizer… que fui… que senti… que vivi… tudo quanto queria… e que dei o melhor de mim… chegando até onde era suposto chegar…
Quando eu me acabar… quero ver o reflexo no espelho… de mim… inteira… de pé… fiel… e ainda acreditar… quero me redescobrir… nessa luz… que lutei para encontrar!
Se não vieres… eu vou… e voarei… inteira… te deixando com migalhas de tudo que na verdade… tu sabes que podias ter…
Conheces a intensidade da vida, no seu expoente máximo… se não partes… se não lutas… se não vives como senão existisse amanhã… mesmo depois de a vida ter-te mostrado a sua fragilidade… lamento… mas continuarei meu voo…
Sigo a minha intuição, apesar da escuridão… enfrentado os meus medos… com coragem… que somente um amor verdadeiro conhece…
E nos meus sonhos mais penetrantes…
Tu… abrires teus braços… se arriscares… me entregarei de coração inteiro… porque o amor não precisa de passado…
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